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Pulsão

O sangue - que corria pelas veias, artérias, caminhos inexplicáveis, quebrou dobradiças, soltou um rojão, despertou a vizinhança, os cachorros latiram, o alambrado caiu, Pompéia ressuscitou das ruínas, o Vesúvio virou um mar aberto, morros, ventos uivantes que soam como cordas vocais de deusas gregas, o sol, esse continua o mesmo, talvez mude de cor, ou congele, as pontes virarão portas, os muros virarão papel, o papel deixou de existir, e quando o coração pensou em parar, ela virou a esquina, ela atendeu o telefone, a música tocou no rádio, o espaço-tempo reuniu todos os milésimos de segundos em que a felicidade perdurou entre os corpos amantes, mesmo que em sonho, ou mesmo que entrelaçados pela eternidade, o mundo nunca mais foi o mesmo. Mas então, a luz foi acesa, as artérias, bactérias, átomos, e tudo que é indivisível, e tudo que é divisível, somado, multiplicado, aniquilado num piscar de olhos, levam a etender que no fim o coração, esse demasiado suscetível e implacáv...
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Poemias

R.E.M I Acordei, Procurei você pela cama Seu cheiro despairou A voz esfumaçou Tons, tintas, paredes descascaram A chuva foi embora Pensei em virar a esquina e lhe acordar com um beijo Acordei, Encontrei você na cama, Seu cheiro pairava no ar Sua voz silênciou o planeta, Os carros, buzinas, explosões de supernovas, Tons, tintas E tudo isso demorou tempo o bastante Acordei, Olhei pro lado, são 3h, Tons, tintas, supernovas, chuvas, nada disso e tudo isso lhe acorda também E tu vê que nao é sonho, Olha as horas, As paredes sem sons, o estômago quer dizer algo, As supernovas ja sao velhas A lua quis entrar, a nova cortina a impede, O silêncio quis dizer algo, mas o sono voltou Os tons voltaram, as tintas pintaram, Um lindo quadro surge frente aos olhos, Sua imagem verifica que... Dormimos II Sonhei que controlava as maos, Que os pés tocavam o chão, O céu pairava em laranja, A laranja era doce, A música não terminava, O vento aqui chegava, As fotos eu nã...

Variedades (novel)

Olá, na sexta feira de variedades decidi apresentar uma pequena novela. Dependendo de feedback ou de meu humor eu posto um capitulo todas as sextas. Espero que gostem! O Universo tem cheiro de Café, Júlia? - Anderson Rios, 2018/19 Era segunda-feira, Julia acordava cansada, sentia exausta quando acordava na segunda, odiava levantar cedo, mas aquele dia era seu primeiro dia de trabalho. Ela sonhou anos por algo grandioso, mas nada chegava perto daquele emprego. Da pra se dizer que era o emprego dos sonhos de Julia, pois Julia amava pintar, Julia amava Cinema, Júlia amava Tarkovsky, Júlia tinha um cabelo curto, Julia tinha tanta vontade de ir pra Paris, Julia amava Godard e Monet, Amava Fernando Pessoa e Lygia Fagundes Telles, ah, essa mulher era um dos maiores amores de Júlia. Julia? Não. Lygia! Quem dera Júlia se amasse como Júlia amava Lygia. Uma semana  antes ela estava lendo um de seus contos favoritos em uma de suas cafeteiras favoritas. O conto chamava "o Unive...

Quinta-feira Autoral

Quinta-Feira, 23/01/2020 Ola, hoje é dia de publicação autoral. Conto - Publicação autoral Diáriogramas.inc, de  Anderson Rios Os grampos começaram a doer e Marcos começou a sentir. Era uma quarta feira, dois meses depois do ocorrido, fui ao enterro dele, e lá sua esposa me dera um diáriograma. Esse diário era absurdamente novo, continha até o preço atrás. Quando recebi logo vi que ele comprou recentemente. Mas por que entrega-lo a mim? Depois de ler o que havia escrito, longe de causas mortis, encontrei, ou melhor, fui nocauteado. Começava assim, Ferd, eu consegui tirar os parasitas, mas eles estavam grudados em minha alma, minha espinha dorsal era amante desses filhos da puta. Em uma quarta feira, não... Era domingo, no domingo tive um sonho cruelmente longo, nesses sonhos casuais, com fodas e corridas e socos em estômagos alheios, senti uma dor fremente na minha nuca, Acho que essa parte ocorreu enquanto eu dormi, digo, não era sonho, minha nuca realment...

Recados

Ola! Hoje, dia 23/01/2020 iniciamos o ano e retornamos com o Réquiemtados  Sigam com nossa programação, Segundas -  Filmes Terças -  Literatura Quartas - Musica Quintas - Publicações autorais Sextas -  Variedades  Ao verme que primeiro roer as frias carnes de meu cadaver, dedico-lhe, Réquiemtados!

Continuidade dos Parques, de Julio Cortázar

Hoje vamos falar de um conto de um autor latino, de nome Julio Cortazar Julio Florencio Cortázar foi um escritor argentino, tido por muitos como um dos maiores nomes da literatura latina, nasceu na embaixa da argentina, em um distrito de Bruxelas, na belgica e voltou a sua terra sulamericana aos 3 anos de idade. Em 1935 formou-se na "Escuela Normal de Profesores Mariano Acosta". Entre tantos contos e escritas incriveis do autor, escolhemos um que faz-se refletir e navegar por uma especie de distinção, como poucos na literatura, a linha tenue entre a ficção e a realidade. CONTINUIDADE DOS PARQUES Julio Cortázar Começara a ler o romance dias antes. Abandonou-o por negócios urgentes, voltou à leitura quando regressava de trem à fazenda; deixava-se interessar lentamente pela trama, pelo desenho dos personagens. Essa tarde, depois de escrever uma carta a seu procurador e discutir com o capataz uma questão de parceria, voltou ao livro na tranquilidade do escritório q...