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Poemias

R.E.M

I
Acordei,
Procurei você pela cama
Seu cheiro despairou
A voz esfumaçou
Tons, tintas, paredes descascaram
A chuva foi embora
Pensei em virar a esquina e lhe acordar com um beijo

Acordei,
Encontrei você na cama,
Seu cheiro pairava no ar
Sua voz silênciou o planeta,
Os carros, buzinas, explosões de supernovas,
Tons, tintas
E tudo isso demorou tempo o bastante

Acordei,
Olhei pro lado, são 3h,
Tons, tintas, supernovas, chuvas, nada disso e tudo isso lhe acorda também
E tu vê que nao é sonho,
Olha as horas,
As paredes sem sons, o estômago quer dizer algo,
As supernovas ja sao velhas
A lua quis entrar, a nova cortina a impede,
O silêncio quis dizer algo, mas o sono voltou
Os tons voltaram, as tintas pintaram,
Um lindo quadro surge frente aos olhos,
Sua imagem verifica que...
Dormimos

II
Sonhei que controlava as maos,
Que os pés tocavam o chão,
O céu pairava em laranja,
A laranja era doce,
A música não terminava,
O vento aqui chegava,
As fotos eu não guardava,
A música não parava
O coração era só mais um órgão,
A rua era comprida e deserta, os cães voavam
E o sol, exuberante, surgia
A lua,
De sono.

Eu realmente sonhei que as maos tocavam no céu,
O doce não terminava, o vento parava,
os cães no chão pulavam, o coração eu controlava, as fotos eu apagava, o sonho despedaçava, a lua aparecia,
E eu acreditava, que tudo se separava
Novamente, alinhado as estrelas
Com a verdade despercebida de que
Tudo significa, Na rua molhada, da chuva, das luas, das nuas, formava apenas um imenso mar,
de sono.

Eu pensei ter sonhado,
Que as fotos eu recordava, que a lua despedaçava, que tudo se encaixava, o sonho realizava, em nada acreditava, desatino das estrelas, inúteis que flutuavam, e se nada acreditava, o sono se desmanchava, o sol retornava, a chuva apenas molhava
Imensa luz,
E então verifica
Que agora que acordava
O mundo se desmanchava,
E nada, e tudo,
imensa luz
Imenso mar,
Sem sono.

Anderson Rios

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