O sangue - que corria pelas veias, artérias, caminhos inexplicáveis, quebrou dobradiças, soltou um rojão, despertou a vizinhança, os cachorros latiram, o alambrado caiu, Pompéia ressuscitou das ruínas, o Vesúvio virou um mar aberto, morros, ventos uivantes que soam como cordas vocais de deusas gregas, o sol, esse continua o mesmo, talvez mude de cor, ou congele, as pontes virarão portas, os muros virarão papel, o papel deixou de existir, e quando o coração pensou em parar, ela virou a esquina, ela atendeu o telefone, a música tocou no rádio, o espaço-tempo reuniu todos os milésimos de segundos em que a felicidade perdurou entre os corpos amantes, mesmo que em sonho, ou mesmo que entrelaçados pela eternidade, o mundo nunca mais foi o mesmo. Mas então, a luz foi acesa, as artérias, bactérias, átomos, e tudo que é indivisível, e tudo que é divisível, somado, multiplicado, aniquilado num piscar de olhos, levam a etender que no fim o coração, esse demasiado suscetível e implacáv...
Uma dose de Literatura, cinema e arte. Réquiemtados trás a vocês a arte em forma de arte. E quando todos morrerem, Seu réquiem será a arte que respiram, O som que sopraram, Os olhos que viram, A boca que disse Mortos de sede, mas ricos, podre de ricos, Não de dinheiro ou diamantes, Mas de êxtase, Profundo ar dos pulmões, radiante Que em sol, em tu, Faz-se vivo! - Anderson Rios