O sangue - que corria pelas veias, artérias, caminhos inexplicáveis, quebrou dobradiças, soltou um rojão, despertou a vizinhança, os cachorros latiram, o alambrado caiu, Pompéia ressuscitou das ruínas, o Vesúvio virou um mar aberto, morros, ventos uivantes que soam como cordas vocais de deusas gregas, o sol, esse continua o mesmo, talvez mude de cor, ou congele, as pontes virarão portas, os muros virarão papel, o papel deixou de existir, e quando o coração pensou em parar, ela virou a esquina, ela atendeu o telefone, a música tocou no rádio, o espaço-tempo reuniu todos os milésimos de segundos em que a felicidade perdurou entre os corpos amantes, mesmo que em sonho, ou mesmo que entrelaçados pela eternidade, o mundo nunca mais foi o mesmo. Mas então, a luz foi acesa, as artérias, bactérias, átomos, e tudo que é indivisível, e tudo que é divisível, somado, multiplicado, aniquilado num piscar de olhos, levam a etender que no fim o coração, esse demasiado suscetível e implacável, bate em seu próprio ritmo, e suas horas são indefinidas, sopradas em direção ao infinito, e toda a pulsão, pulsão sobre pulsão que acarreta o sangue pelas veias, as pessoas pelas viélas apaixonados, uma tanajura ao voo nupcial, que logo em seguida a levará ao abismo letal, tudo isso, e nada disso, perdurou eternamente até que eu lembrei que tudo isso já passou e o coração não respinga - bombardeia.
Olá, na sexta feira de variedades decidi apresentar uma pequena novela. Dependendo de feedback ou de meu humor eu posto um capitulo todas as sextas. Espero que gostem! O Universo tem cheiro de Café, Júlia? - Anderson Rios, 2018/19 Era segunda-feira, Julia acordava cansada, sentia exausta quando acordava na segunda, odiava levantar cedo, mas aquele dia era seu primeiro dia de trabalho. Ela sonhou anos por algo grandioso, mas nada chegava perto daquele emprego. Da pra se dizer que era o emprego dos sonhos de Julia, pois Julia amava pintar, Julia amava Cinema, Júlia amava Tarkovsky, Júlia tinha um cabelo curto, Julia tinha tanta vontade de ir pra Paris, Julia amava Godard e Monet, Amava Fernando Pessoa e Lygia Fagundes Telles, ah, essa mulher era um dos maiores amores de Júlia. Julia? Não. Lygia! Quem dera Júlia se amasse como Júlia amava Lygia. Uma semana antes ela estava lendo um de seus contos favoritos em uma de suas cafeteiras favoritas. O conto chamava "o Unive...
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