O sangue - que corria pelas veias, artérias, caminhos inexplicáveis, quebrou dobradiças, soltou um rojão, despertou a vizinhança, os cachorros latiram, o alambrado caiu, Pompéia ressuscitou das ruínas, o Vesúvio virou um mar aberto, morros, ventos uivantes que soam como cordas vocais de deusas gregas, o sol, esse continua o mesmo, talvez mude de cor, ou congele, as pontes virarão portas, os muros virarão papel, o papel deixou de existir, e quando o coração pensou em parar, ela virou a esquina, ela atendeu o telefone, a música tocou no rádio, o espaço-tempo reuniu todos os milésimos de segundos em que a felicidade perdurou entre os corpos amantes, mesmo que em sonho, ou mesmo que entrelaçados pela eternidade, o mundo nunca mais foi o mesmo. Mas então, a luz foi acesa, as artérias, bactérias, átomos, e tudo que é indivisível, e tudo que é divisível, somado, multiplicado, aniquilado num piscar de olhos, levam a etender que no fim o coração, esse demasiado suscetível e implacável, bate em seu próprio ritmo, e suas horas são indefinidas, sopradas em direção ao infinito, e toda a pulsão, pulsão sobre pulsão que acarreta o sangue pelas veias, as pessoas pelas viélas apaixonados, uma tanajura ao voo nupcial, que logo em seguida a levará ao abismo letal, tudo isso, e nada disso, perdurou eternamente até que eu lembrei que tudo isso já passou e o coração não respinga - bombardeia.
Hoje vamos falar de um conto de um autor latino, de nome Julio Cortazar Julio Florencio Cortázar foi um escritor argentino, tido por muitos como um dos maiores nomes da literatura latina, nasceu na embaixa da argentina, em um distrito de Bruxelas, na belgica e voltou a sua terra sulamericana aos 3 anos de idade. Em 1935 formou-se na "Escuela Normal de Profesores Mariano Acosta". Entre tantos contos e escritas incriveis do autor, escolhemos um que faz-se refletir e navegar por uma especie de distinção, como poucos na literatura, a linha tenue entre a ficção e a realidade. CONTINUIDADE DOS PARQUES Julio Cortázar Começara a ler o romance dias antes. Abandonou-o por negócios urgentes, voltou à leitura quando regressava de trem à fazenda; deixava-se interessar lentamente pela trama, pelo desenho dos personagens. Essa tarde, depois de escrever uma carta a seu procurador e discutir com o capataz uma questão de parceria, voltou ao livro na tranquilidade do escritório q...
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