Quinta-Feira, 23/01/2020
Ola, hoje é dia de publicação autoral.
Ola, hoje é dia de publicação autoral.
Conto - Publicação autoral
Diáriogramas.inc, de Anderson Rios
Os
grampos começaram a doer e Marcos começou a sentir.
Era
uma quarta feira, dois meses depois do ocorrido, fui ao enterro dele, e lá sua
esposa me dera um diáriograma. Esse diário era absurdamente novo, continha até
o preço atrás. Quando recebi logo vi que ele comprou recentemente. Mas por que
entrega-lo a mim?
Depois de ler o que havia escrito, longe de causas mortis, encontrei, ou melhor, fui nocauteado.
Começava assim,
Ferd, eu consegui tirar os parasitas, mas eles estavam grudados em minha alma, minha espinha dorsal era amante desses filhos da puta.
Em uma quarta feira, não... Era domingo, no domingo tive um sonho cruelmente longo, nesses sonhos casuais, com fodas e corridas e socos em estômagos alheios, senti uma dor fremente na minha nuca, Acho que essa parte ocorreu enquanto eu dormi, digo, não era sonho, minha nuca realmente doía, e eu dormia com as mãos calcadas nela.
No sonho, depois de todos os caminhos possíveis e idiotas sonhados, eis que chega no clímax, essa dor, o sonho, tudo virou um só, senti que havia grampos na minha nuca Ferd, e esses grampos controlavam tudo que eu fazia. No sonho ainda eu arrancava-os e cada um que eu tirava, eu percebia mais coisas que antes eu ignorava, Que antes eu não sabia. E esses grampos eram intermináveis, e puta merda, esse sonho também, sinto que fiquei dias, séculos, milênios arrancando essas merdas. Mas depois de muito tempo de angústia, ouço um barulho, um grito, uma buzina, um latido, não lembro que porra era, mas isso me acordou.
Ferd, eu estava suado, minhas unhas cheias de sangue, mas não era nada profundo. Levantei rapidamente, olhei no relógio eram 4h da manhã, dormi apenas umas 2h, mas aquele sonho, naquele sonho eu fiquei livre, juro que ao olhar agora, acordado, eu soube que lá eu estava livre, e aqui não.
Levantei, fui até a cozinha, peguei uma faca, tentei continuar a arrancar algo, mas travei, puta merda eu não sentia mais os grampos, eu não sentia mais livre como no sonho, eu... aaaaaah porra!
29.06.2024 – Diáriograma.inc
Tenho a certeza que a mulher dele leu isso, a cara dela estava em choque, parecia que virá algo mais que um defunto.
Eu levei para casa aquele diáriograma curto, com sangue nas bordas, e um delírio interessante. Dias depois eu soube que a causa da morte de marco foi por conta da penetração, causada pela furadeira que ele emprestou de seu vizinho. Bem, eu sabia que ele tinha furado aquela nuca, mas não imaginava que teria sido com uma furadeira, aliás a furadeira estava em sua mão quando o encontram, eu que não liguei pra detalhes, (a morte pra mim não necessita de detalhes). Mas o que me deixou angustiado, e lhe tenciono a escrever isso, é que hoje de manhã, tive um sonho parecido, eu tomei controle diante ocorria, isso eu sempre tentei fazer, as vezes conseguia, mas dessa vez, Marcus estava lá, tentava me dizer algo, mas era em uma lingua que tinha tanto sentido quanto esse diáriograma.
....
Leitor, decidi continuar nesse diário, porque... merda, o cara descobriu, ele morreu porque descobriu, e se você ler isso, não tire esses vermes de sua nuca.
22.07.2024 – Diáriograma.inc
Minha mulher, Caroline, me salvou, no dia 23, ela foi para casa mais cedo, e normalmente ela passa na padaria e compra pães e essas coisas, mas nesse dia ela voltou mais cedo, eram umas 18h, e quando ela abriu a porta ela me viu estirado no chão, segundo ela, eu estava com uma faca de cozinha na mão, e com a nuca cheia de sangue. Os médicos disseram que eu só não morri, porque não atingi nenhuma vértebra da coluna cervical ou uma dessas baboseiras, e eu não sei como cheguei a isso. Marcus morrera e quis compartilhar essa praga comigo? Porra, lembrei porque ele deixou esse maldito aparelho pra mim e não para outra pessoa mais próxima dele, eu acho, bem além de dever dinheiro a ele, eu emprestei alguns livros,... será que os livros o levaram a esses sonhos? Será que....ah, minha mulher está vindo, se ela ver meu diáro ela vai pegar.
26.07.2024 - Diáriograma.inc
Depois de ler o que havia escrito, longe de causas mortis, encontrei, ou melhor, fui nocauteado.
Começava assim,
Ferd, eu consegui tirar os parasitas, mas eles estavam grudados em minha alma, minha espinha dorsal era amante desses filhos da puta.
Em uma quarta feira, não... Era domingo, no domingo tive um sonho cruelmente longo, nesses sonhos casuais, com fodas e corridas e socos em estômagos alheios, senti uma dor fremente na minha nuca, Acho que essa parte ocorreu enquanto eu dormi, digo, não era sonho, minha nuca realmente doía, e eu dormia com as mãos calcadas nela.
No sonho, depois de todos os caminhos possíveis e idiotas sonhados, eis que chega no clímax, essa dor, o sonho, tudo virou um só, senti que havia grampos na minha nuca Ferd, e esses grampos controlavam tudo que eu fazia. No sonho ainda eu arrancava-os e cada um que eu tirava, eu percebia mais coisas que antes eu ignorava, Que antes eu não sabia. E esses grampos eram intermináveis, e puta merda, esse sonho também, sinto que fiquei dias, séculos, milênios arrancando essas merdas. Mas depois de muito tempo de angústia, ouço um barulho, um grito, uma buzina, um latido, não lembro que porra era, mas isso me acordou.
Ferd, eu estava suado, minhas unhas cheias de sangue, mas não era nada profundo. Levantei rapidamente, olhei no relógio eram 4h da manhã, dormi apenas umas 2h, mas aquele sonho, naquele sonho eu fiquei livre, juro que ao olhar agora, acordado, eu soube que lá eu estava livre, e aqui não.
Levantei, fui até a cozinha, peguei uma faca, tentei continuar a arrancar algo, mas travei, puta merda eu não sentia mais os grampos, eu não sentia mais livre como no sonho, eu... aaaaaah porra!
29.06.2024 – Diáriograma.inc
Tenho a certeza que a mulher dele leu isso, a cara dela estava em choque, parecia que virá algo mais que um defunto.
Eu levei para casa aquele diáriograma curto, com sangue nas bordas, e um delírio interessante. Dias depois eu soube que a causa da morte de marco foi por conta da penetração, causada pela furadeira que ele emprestou de seu vizinho. Bem, eu sabia que ele tinha furado aquela nuca, mas não imaginava que teria sido com uma furadeira, aliás a furadeira estava em sua mão quando o encontram, eu que não liguei pra detalhes, (a morte pra mim não necessita de detalhes). Mas o que me deixou angustiado, e lhe tenciono a escrever isso, é que hoje de manhã, tive um sonho parecido, eu tomei controle diante ocorria, isso eu sempre tentei fazer, as vezes conseguia, mas dessa vez, Marcus estava lá, tentava me dizer algo, mas era em uma lingua que tinha tanto sentido quanto esse diáriograma.
....
Leitor, decidi continuar nesse diário, porque... merda, o cara descobriu, ele morreu porque descobriu, e se você ler isso, não tire esses vermes de sua nuca.
22.07.2024 – Diáriograma.inc
Minha mulher, Caroline, me salvou, no dia 23, ela foi para casa mais cedo, e normalmente ela passa na padaria e compra pães e essas coisas, mas nesse dia ela voltou mais cedo, eram umas 18h, e quando ela abriu a porta ela me viu estirado no chão, segundo ela, eu estava com uma faca de cozinha na mão, e com a nuca cheia de sangue. Os médicos disseram que eu só não morri, porque não atingi nenhuma vértebra da coluna cervical ou uma dessas baboseiras, e eu não sei como cheguei a isso. Marcus morrera e quis compartilhar essa praga comigo? Porra, lembrei porque ele deixou esse maldito aparelho pra mim e não para outra pessoa mais próxima dele, eu acho, bem além de dever dinheiro a ele, eu emprestei alguns livros,... será que os livros o levaram a esses sonhos? Será que....ah, minha mulher está vindo, se ela ver meu diáro ela vai pegar.
26.07.2024 - Diáriograma.inc
Conto - Retirado do Livro Insólicidios de Anderson Rios, 2018
Obra - Cinzas – 1894 – Edvar Munch.

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